quarta-feira, 4 de maio de 2016

[GPC66] O Perigo dos Animais Peçonhentos


Em quatro páginas distribuídas dentro do Guia (são elas: 18, 25, 32 e 30), encontramos uma reunião de informações importantes sobre acidentes com animais peçonhentos. 

Estas partes do antigo guia de 1966 trazem diversos exemplos das diferenças e peculiaridades de linguagem, cultura e grafia da época.



Esses procedimentos não são 100% corretos. Podemos rever o assunto em uma outra postagem.



sábado, 30 de abril de 2016

Mais livros = Mais conhecimento? | A Vida de Estudos do Homem [4]

Ser homem não significa ser um gorila irracional, e o Oficina do Homem é feito para que, entre outros motivos, mais homens saiam desse tipo de pensamento mesquinho e cresçam. Para homens que querem buscar a verdade sobre a sua vida e sobre o mundo a sua volta, começamos a série "a vida de estudos do homem", com dicas semanais de estudos.


Quando imaginamos uma pessoa se dedicando à própria educação, nós a imaginamos lendo. Desde que o número de pessoas alfabetizadas cresceu e os livros se tornaram acessíveis, a ligação desse objeto com aprendizado ficou ainda mais forte. Mas existem exageros nisso. Hoje existe uma certa impressão geral de que os livros são fontes de conhecimento, tesouros por si mesmos. Seria mesmo assim?

1. O que é um livro?

Livros são, basicamente, meios de comunicação. Eles contém códigos que podem ser lidos por qualquer pessoa alfabetizada naquele idioma. 

Todo livro contém um discurso criado por alguém. Um livro de Nietzsche, por exemplo, reúne palavras escritas pelo filósofo e assim transmite a sua mensagem. Cabe ao leitor ler estas palavras da maneira correta e compreender o discurso de forma completa.

Disso nós podemos concluir que o papel do livro, no processo de conhecer algo, é de um meio de acesso a pensamentos de outras pessoas. Pesam aqui a clareza e intenção dos autores e a boa compreensão dos leitores. Sem isso não há a comunicação do discurso para se informar ou aprender algo. 

2. Ler o que?

Dizer que livros são "fontes de conhecimento" é algo muito vago. Existem bons livros, mas também existem péssimos livros. Existem livros que trazem um ótimo discurso, outros trazem péssimas informações (o que ainda pode ser algo útil), outros não trazem nada. Outros livros são muito pouco claros e alguns podem perder seu conteúdo original pela tradução ou adaptação. 


3. Você pode ler muitos bons livros e não aprender nada

Quando alguém diz que tem uma biblioteca enorme e leu muitos livros, não fique tão impressionado. Ler muito é uma coisa boa, mas há como fazer isso sem aprender muito. É comum que se leia sem compreender nada, ou ainda entendendo coisas diferentes. Quem, por exemplo, lê livros de História como quem lê histórias infantis não vai aprender tanto sobre História, não é mesmo?


4. Não ler?

Está claro, afinal, que estantes cheias de livros lidos não significam muito. Isso quer dizer que ler é algo inútil? É claro que não. Isso quer dizer que é necessário um esforço para uma boa leitura e interpretação, além de uma escolha exigente de livros que valham a pena. 

Apesar de muito importantes, os livros também não são os únicos meios de se acessar conhecimento. Considere também, entre outras coisas:
  • Ver vídeos sobre assuntos do seu interesse. 
  • Assistir filmes e documentários para ampliação do imaginário e informação.
  • Ouvir alguém que tenha algo a ensinar.
Folhas de papel com formas impressas não valem nada. O que dá sentido a elas são os conhecimentos que daí podem ser extraídos. Saiba como fazer isso da melhor maneira, e alguns livros serão mesmo tesouros. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

"Homem não chora": Uma palavra sobre masculinidade e sofrimento


O senso comum nos diz que homem de verdade não chora. Isso pode ser entendido ao pé da letra, como dizer que homens fortes nunca derramam lágrimas, mas também que um homem de verdade não permite que seus sofrimentos o enfraqueçam.

A primeira possibilidade é equivocada. Chorar é uma forma de expressão natural, não pode ser ela mesma uma forma de fraqueza. Choramos quando perdemos alguém, assim como quando lemos uma história emocionante, mas essa mesma atitude pode ser tomada quando cortamos o dedo mindinho. 

A segunda possibilidade de interpretação de "homem não chora" é mais acertada. Quando o choro indica fraqueza, homens não choram. A questão é onde está o limite entre a fraqueza e a expressão legítima de sofrimento. Como um homem lida com o sofrimento?


1. Todo homem sofre, ainda que sem lágrimas

A verdade é que o sofrimento é parte da condição humana. Todo mundo nasceu para saber disso, ainda que tenha se esquecido. "Nós já nascemos chorando", dirá alguém. E não é à toa, pois nascer é nosso primeiro grande sofrimento físico. Nossa história pode ser contada como uma narrativa de nossos sofrimentos. Crianças devem passar por provações físicas e frustrações, adolescentes sofrem com rejeições, adultos sofrem com o peso das responsabilidades, etc. Esperar por uma vida sem sofrimentos nesse mundo é uma ilusão que é fonte de mais sofrimentos. Antes de mais nada, aceite a sua condição e aprenda a viver com ela.


2. O que é sofrer?

O que muitas pessoas não percebem é que sofrimento é um sentimento. Isso quer dizer que ele pode não condizer com a realidade daquilo que vivemos. Se sofremos com algo, isso não é necessariamente ruim, assim como podemos sofrer pouco por algo terrível. 

Isso pode ser um impedimento para resolução de problemas. Existe, então, uma necessidade de domar nossos sentimentos para reagir de forma proporcional às necessidades. Um homem que não faz isso está condenado a ser domado por suas dores, perdendo em vontade, força e até mesmo em sua independência.

Um homem que perde a mulher, por exemplo, pode sofrer de forma normal e compreensível. Mas se esse sofrimento persiste e se sustenta, há ali algo errado que impede a continuidade natural da vida dele. Ele deve domar esse sentimento para viver a própria vida sem deixar de amar e honrar sua mulher, absorvendo a perda em sua biografia.


3. Aprendendo a sofrer

Se uma criança cai e rala o joelho pela primeira vez, vai gritar, chorar e chamar a mãe. Um homem adulto fazendo a mesma coisa seria no mínimo ridículo. Por que as duas reações são tão diferentes? O que muda com o passar dos anos?

Quando a criança se machuca, não sabe calcular o tamanho de seu problema. Ela espera que o conforto de não sofrer permaneça constante e se sente frustrada quando essa expectativa é quebrada. Sua reação é encarar aquilo como um problema maior do que é e clamar pela a ajuda dos pais, dos quais ainda depende. 

Crescendo, lidamos com diversos sofrimentos e aprendemos o que esperar quando algo ruim ocorre. Isso nos faz reagir com mais calma e de maneira independente nessas situações. 

Apesar de esse ser um processo natural, isso pode ser boicotado pela ação dos pais e pela intenção do indivíduo. Um garoto mimado e super-protegido não conhece o sofrimento o suficiente para, na idade adulta, saber o que esperar e como lidar com ele. Isso explica reações infantis diante de sofrimentos bobos e o pavor de algumas pessoas em sofrer, evitando qualquer desconforto. 

O grande problema disso é que, após a infância, precisamos lidar com sofrimentos mais complexos e difíceis. É nessa época que requisitamos atenção e amor de outras pessoas, tentamos nos enquadrar em grupos, assumimos grandes responsabilidades, criamos vínculos e outras mudanças que trazem consigo a possibilidade de grandes sofrimentos desse tipo. Aí a exigência de adaptação é enorme e nos leva a uma situação próxima a das quedas na infância.

Isso significa que devemos continuar aprendendo com sofrimentos avassaladores, o que pede de nós uma forte intenção de enfrentar os problemas ao invés de buscar conforto, fugindo deles.

Se acumulamos experiências desse tipo, vencendo-as, grandes sofrimentos se tornam para nós como um joelho ralado. Dói, mas não importa tanto. A boa notícia é que isso ainda funciona muito bem se as experiências de sofrimento são imaginativas, como se compadecer do sofrimento de alguém ou ler uma história dramática.

Ao final, tudo compensa, pois você ganhará resiliência. Todo homem precisa de uma grande resiliência para resolver problemas, ajudar pessoas e exercer seus papéis.



Aqui podemos responder nossa pergunta: A diferença entre a fraqueza e um choro legítimo é que somos fracos quando o sofrimento nos faz desmoronar e perder a cabeça. O choro legítimo é só uma expressão simples de alguma emoção inevitável, que acontece apesar das nossas forças.


4. Lidando com os sofrimentos como um homem

Ao enfrentar um sofrimento, você pode precisar saber que:

  • Num primeiro momento, o problema assusta, pois não conhecemos suas proporções. Muito das reações exageradas diante de algo ruim vêm desse susto inicial. 
  • Precisamos encarar a situação de forma consciente, sem a intenção de evitar sofrer, mas compreendendo as medidas dos problemas e dando nomes às nossas dores. 
  • Não podemos nos deixar levar pela melancolia, raiva ou tristeza. Essas são visões deturpadas da realidade frutos dos sentimentos negativos que super-valorizamos.
  • É necessário atenção para não se perder a noção do sentido da vida. Nossos motivos para viver, nossas ambições e objetivos estão acima das nossas dores. Saber disso é a maior força contra o sofrimento.


5. "Um mundo sem sofrimentos"

Não é novidade para nós que nossa sociedade é um ambiente de homens fracos e emasculados. Um dos sintomas disso é a falta de capacidade para lidar com a dor. Não há mais a preocupação de enfrentar os problemas, aprender a sofrer e superar as dores. Há, antes, a reivindicação de que não hajam mais sofrimentos.

É com esse espírito que surgiram aberrações como a valorização da vitimização, a punição excessiva por ofensas, a preocupação desproporcional com o bullying, etc. 

Um homem de verdade não compartilha disso pois conhece o sofrimento de perto, como condição humana incontornável. Ele sabe que, antes de pedir ajuda aos pais (ou qualquer outra autoridade) ou cair nas garras do choro fraco, deve estar acordado para o sentido da vida e consciente de sua situação; e assim é forte. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Estudar é uma busca da Verdade | A Vida de Estudos do Homem [3]

Ser homem não significa ser um gorila irracional, e o Oficina do Homem é feito para que, entre outros motivos, mais homens saiam desse tipo de pensamento mesquinho e cresçam. Para homens que querem buscar a verdade sobre a sua vida e sobre o mundo a sua volta, começamos a série "a vida de estudos do homem", com dicas semanais de estudos.

Tenha sempre em mente que estudar é buscar algo específico. O objeto dessa busca tem sido ignorado com frequência, mas ele é o único sentido possível dessa ação. Esse objeto é a Verdade. Muitos têm usado os próprios estudos para conseguir outras coisas bem mais superficiais. Um homem de estudos deve estar atento para não cair no mesmo erro.


1. Alguns desvios possíveis

Estudar é buscar a Verdade, mesmo que haja uma intenção determinada. Você pode querer conhecer algo sobre uma profissão que quer praticar, por exemplo, e isso é válido. Mas existem motivações para o estudo que fogem dessa busca. Entre elas, listo 5 principais. 

No seu caminho de busca pelo conhecimento, você pode se desviar para esses motivos. É necessário, portanto, tê-los em mente para reconhecer esses desvios e voltar à busca correta. Caso contrário, você só será capaz de chegar à mentira, ilusão e confusão.

Não estude para:
  • Ser aceito - Estudar para ganhar aceitação em um grupo limita seu aprendizado a alguns conhecimentos (ou pseudo-conhecimentos); que só te satisfarão quando puderem impressionar alguém. Além disso, esse desvio pode te fazer reafirmar cegamente as idéias de um grupo, o que é alienação.
  • Conseguir argumentos para discussões - Essa é uma forte tentação para quem toma posição dentro de uma "polêmica". A verdade é que estudar para discussões é determinar seus estudos para um lado ou outro. Você estaria lendo e buscando somente informações, tendendo a aceitar as que você concorda e rejeitar as que você discorda. Esse é uma maneira de fugir da realidade.
  • Reforçar uma opinião - Se você tem uma opinião formada sobre algo mas se sente inseguro dela, estude com sinceridade para atingir a verdade sobre a questão, não selecionando aquilo que você já acha confortável aceitar.
  • Justificar as próprias escolhas - Nossas escolhas podem moldar a forma como aceitamos as coisas. Ao decidir por algo, você pode tender a concordar com aquilo que esteja de acordo sua decisão. Fuja dessa tendência e esteja pronto para reformular-se para a Verdade, ao invés de formular uma verdade para si.
  •  Sentir-se superior  - Estudar eleva. Essa elevação pode nos fazer enxergar os outros como inferiores, o que nos dá uma confortável sensação de superioridade. Essa sensação, em geral, é falsa e emburrece. Apesar de haver mérito no conhecimento, isso não nos faz maiores e melhores que a humanidade. Na verdade nós deveríamos nos comparar a outros homens de estudos para medir nossa pequenez, ao invés de contar nossos pontos de elevação para nos sentirmos importantes. Só o reconhecimento das nossas ignorâncias e burrices pode nos levar ao conhecimento e elevação verdadeiros.

2. Mas a Verdade existe mesmo?

Há quem não acredite na Verdade como algo absoluto. Se fosse assim, o que moveria seus estudos, além de uma construção de teorias relativas com fins sociais ou puramente emocionais? Para essas pessoas, não há outra resposta senão a do filósofo Roger Scruton:

"O homem que diz que a verdade não existe está pedindo para que você não acredite nele. Então, não acredite"

terça-feira, 12 de abril de 2016

Preocupe-se com a sua masculinidade

Talvez por algum tipo de orgulho, existe uma tendência entre os homens de pensar que a virilidade acontece quando se afirma que já a tem. Comente com algum homem sobre a crise da masculinidade e ele começará a falar como se estivesse livre disso, como se o resquício de masculinidade que ainda resta no mundo estivesse nele, enfatizando que foi educado na vara de marmelo, que gosta de jogar futebol ou que não é homossexual de modo algum.

Essa reação comum demonstra duas coisas:

  1. Muitos homens andam achando que crescimento em masculinidade ocorre por declaração. Que é algo externo que deve ser demonstrado à terceiros.
  2. Precisamos compreender melhor a crise da masculinidade e que já estamos sendo afetados por ela.

Em algumas postagens iniciais eu tentei definir um parâmetro de masculinidade que estava se perdendo e que iria ser o objeto da busca do Oficina do Homem. Alguns pontos da conhecida "crise da masculinidade" já estavam descritos ali. Mas precisamos falar um pouco mais sobre a importância de identificar e reagir às consequências disso. 

Acontece que quando nós acreditamos que não estamos sendo afetados só por que nos afirmamos muito machos, estamos sendo puramente ingênuos. A destruição de valores masculinos das últimas décadas, no Brasil, deixou poucos tijolos no lugar. A falta de referências viris, o desprezo pelo homem, a quebra das diferenças de gênero e as distorções sobre hombridade deixaram marcas tão profundas que já nem podemos perceber sem um nível maior de atenção e consciência.

Nós estamos vivendo num lixão imaginando que o problema seja a falta de banho de algumas pessoas. 

Se você tomou consciência de que já está sendo atingido, é hora de saber de onde vem os tiros. Só aí você poderá ter qualquer reação efetiva para o próprio crescimento.

1. O desprezo pelo homem

Sem vitimismo. Reconheçamos apenas que após décadas de discursos feministas que classificam homens como opressores, estupradores em potencial e agressores, a dignidade da natureza masculina sofreu. A impressão geral, hoje, é que as características masculinas são negativas, perigosas e até mesmo maldosas. 

Um exemplo de como esse pensamento afeta a vida dos homens são as leis que facilmente afastam homens de suas famílias, como se a presença de um pai numa família fosse uma espécie de risco.

De maneira geral, percebe-se também uma feminilização da sociedade. Isso não significa "imposição feminina", "empoderamento", nem mesmo "valorização feminina". É mais uma força negativa. Condenamos os objetos de interesse e práticas puramente masculinos, forçando homens a viverem como mulheres.

Caçar? Proibido. Comer bem? Faz mal. Cortejar uma pretendente? Assédio. Atirar? Crime. Fumar? Nem cigarrinho de palha. Buscar independência e autonomia? Depende do que o governo acha disso. Vestir-se como um homem? Careta. Exercitar-se? Apenas por estética, se não, violento. Administrar uma família? Machismo.


2. "Gêneros são construções sociais"

Parece algum tipo de brincadeira ou algo absurdo demais para ser uma brincadeira, mas a idéia de que homens e mulheres só são homens ou mulheres na sua parte biológica sexual vem ganhando muito volume nas últimas décadas. Mais e mais gente acredita que a diferença entre os sexos simplesmente não existe, a não ser como uma disposição sexual.

Países inteiros vêm adotando políticas baseadas nessa nova forma de pensar, inclusive o Brasil. Nada resta ao cidadão comum senão perguntar-se se há algo de errado no mundo ou nele mesmo.

A verdade é que isso nunca teve fundamento científico e pode ser desmentido por qualquer percepção realista. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa discussão pelo documentário norueguês O paradoxo da igualdade, no qual o comediante com formação em ciências sociais, Harald Eia, investiga o porquê de seus conterrâneos continuarem escolhendo profissões de maneira tradicional apesar de tantas ações governamentais que deram à Noruega o título de país com maior igualdade de gênero.

Mesmo errada, essa concepção traz estragos terríveis:


3. A falta de compreensão da masculinidade

Esse problema é especial no caso brasileiro. Nós apagamos nossas referências e nossos valores de forma tão profunda, que não sabemos sequer para que lado fica essa tal "virilidade". Ser mais masculino, no senso comum brasileiro, tem mais a ver com o verdadeiro oposto da masculinidade.

Poucas pessoas sabem admitir facilmente a idéia de um "homem mais masculino" como alguém compromissado, responsável, disposto ao sacrifício e a defesa. 

Poderíamos classificar algumas das visões do que é masculinidade para os brasileiros em geral:
  • O Crianção. Ser mais homem é gostar de coisas que garotos de 12 anos gostariam. "Homem gosta de video game", "Quadrinho é coisa de homem", "Homem passa o dia jogando e comendo sanduíche" etc.
  • O Gordo. Fazer coisas de homem, para alguns, não é algo muito próximo do que é mostrado no filme Gran Torino, de Clint Eastwood. Seria, na verdade, algo mais próximo do Homer Simpson. "Homem bebe cerveja e assiste futebol". 
  • O Cretino. O espantalho feminista é assumido por alguns homens. São eles que criam discursos vitimistas, odeiam mulheres e imaginam que são mais másculos quanto mais maliciosos, mentirosos, vingativos e agressivos são. "Homem de verdade pega mulher e bate punheta", "Vou te levar para um puteiro para você ser mais homem", "Mulher nenhuma presta".
  • O Efeminado Ideal. Parece até inverossímil, mas muitos dos ícones de masculinidade são reconhecidos assim por que agradam as mulheres, mesmo que sejam efeminados em muitos sentidos. Cabelos e pele bem cuidados, corpo depilado, traços infantis e movimentos delicados. Esses são os mesmos que "servem" às mulheres, não por que são cavalheiros, mas como uma espécie de "amiga útil". Eles pintam as unhas da namorada, fazem brincadeiras fofinhas, etc. "Homem de verdade ajuda a escolher a roupa da namorada".
  • O Musculoso. Com a moda da academia, surgiu a noção de que músculos e virilidade são equivalentes, ainda que isso seja conquistado com hormônios femininos. "Homem de verdade não é frango".
  • O Barbudinho. Na onda dos lumbersexuais, são homens que se vestem como um protótipo de lenhador que não deu certo. A barba voltou a ser um sinal de masculinidade. Basta que você seja barbudo, beba umas brejas e use couro, você pode até beijar outros homens de forma máscula. "Homem de verdade não faz a barba".

Todas essas visões de masculinidade tem algo em comum: elas guardam algo de verdadeiro sobre a masculinidade, mas deturpam isso até o seu oposto. Por exemplo: o macho "musculoso" parte do princípio verdadeiro de que homens tem que cuidar de seu corpo e de suas capacidades, mas esvazia essa atitude, chegando à idéia de aumentar os músculos por futilidades, como para agradar outros homens.

É até previsível que tomemos as coisas assim. Quando se perde o sentido verdadeiro de algo, os detalhes são enfatizados e preenchidos de novos sentidos diferentes.


4. Falta testosterona

É normal que o nível de testosterona caia com a idade de um homem. Mas estudos mostram que o nível de testosterona  em homens vêm reduzindo de maneira generalizada há décadas, chegando hoje a números preocupantes. 

Entre as muitas causas, considera-se o uso de aparelhos celulares (cuidado com eles) e a alimentação. Numa época em que comer carne é quase um crime, não poderia ser muito diferente.

Além disso, a testosterona é muitas vezes relacionada ao comportamento antissocial e ao machismo, o que vêm prejudicando a conscientização dos homens sobre essa queda. 

Ignora-se que o hormônio é essencial para uma boa qualidade de vida e saúde masculina. Considere, por exemplo, que a dificuldade de criar músculos e pelos, depressão, falta de concentração e impotência sexual estão entre algumas consequências da deficiência de testosterona.


5. Consequências

As consequências disso tudo, de maneira geral, é uma geração de homens perdidos em relação a si mesmos, seus papéis e até seus próprios corpos. Não é à toa que o número de suicídios entre homens se tornou uma epidemia mundial. No Brasil, um dos países de maior taxa de suicídios do mundo, o número de casos entre homens superam os entre mulheres. 


6. Conclusão 


São muitos pontos que convergem contra a masculinidade, o que nos trouxe a uma situação insuportável. Preocupar-se com isso e fazer algo para mudar é um benefício para si mesmo e para a sociedade.

Para começar, aceite que essa é a nossa situação. Reconheça os pontos onde está prejudicado. Isso não diminui sua honra ou dignidade, pelo contrário. Só assim você poderá adquirir os meios para se tornar um homem como já quase não se pode ser: um homem de verdade. Este, por acaso, é o propósito desse blog. Conte conosco!