segunda-feira, 6 de abril de 2015

Homens, assumam seus papéis!



Você já reparou como muitos homens da sociedade brasileira atual parecem viver somente de acidentes? Repare que o comum, hoje, é que desde muito novos estejamos na escola. Como sequência disso, somos pressionados (e quem vive isso sabe que a pressão não é pouca) a entrar em uma universidade, o que nos leva a um emprego. Mesmo que seja muito difícil decidir uma carreira na idade em que a maioria dos jovens decidem, muitas vezes terminamos os cursos e até seguimos a carreira sentindo que não deveríamos. Isso por que sair de um curso não é algo simples, e é comum que não haja nada melhor. Só resta contentar-se com o que tem. 

A falta de conhecimento, capacidade de decisão e a pressão familiar e social nos levam a viver como barquinhos de papel na enxurrada: sem ação. Isso vale para outras áreas: Com um namoro, chega-se sem muito discernimento a um casamento, muitas vezes motivado por uma gravidez indesejada. E como consequência de uma péssima avaliação durante o namoro, muitos destes laços são quebrados num divórcio. 

O que está faltando para os homens, nesse sentido, é que saibam que papéis precisam desempenhar, como assumir, e o que isso significa. Falta também livrar-se do medo irracional de assumi-los e da aura negativa de que fazer isso é algo pesado e negativo, quando, na maioria das vezes, é uma verdadeira libertação, um motivo que estava faltando.

Esses papéis devem ser ensinados durante toda a formação, mas não só isso. Eles exigem certas habilidades e capacidades que precisam ser aprendidas durante a vida. Veja bem: Se um homem que assume o papel de esposo não sabe lidar com uma mulher de forma respeitosa, vendo as mulheres como objetos para seu prazer, ou pessoas burras e inferiores, não é capaz de cumprir esse papel de marido. Essa formação ausente - sobre lidar com mulheres com respeito e compreensão - deveria ter sido dada desde sua infância. Mas, o que vemos hoje é muita exigência para papéis que os homens nem podem prever que deverão passar (exigência que já vem do mesmo costume pelos pais de nossos pais), e uma rasa, se não vazia, preparação para elas.

Além da falta de modelos, que incentivariam a preparação e conhecimento das possibilidades de papéis a se assumir, o próprio conceito de "masculinidade" está deficiente. Quando se fala de "homem de verdade", hoje, falamos de garotões irresponsáveis, mulherengos, violentos, egoístas e, no fundo, infantis. Nada remete as responsabilidades que precisamos assumir, nem ao que precisamos aprender.

Ser um homem é também trabalhar duro e honrar nossos papéis. Como mudar em nós o que é preciso para que isso seja levado à prática?

1. "Responsabilidades" e "Papéis" não são pesos terríveis. Ao contrário: Podem ser a sua solução.


Precisamos rever o que significam estas palavras e o sentido que elas tem quando passam por nossos ouvidos. É certo que a impressão que causam é como algo que nos frustra, atrapalha, uma exigência maligna que não considera quem você é ou quer ser. Mas o que elas realmente querem dizer é diferente disso.

Uma responsabilidade é um compromisso que você assume com algo ou alguém. Se você, por exemplo, monta uma escola de futebol no seu bairro, ganha com isso uma responsabilidade. Somente você pode fazer o que faz por esta escola, e mesmo que você passe este dever para outra pessoa, você o faz como o responsável.

O papel é aquilo que se espera de você como membro de uma sociedade. Se você não assume um papel, pode-se afirmar que você ganha da sociedade, mas não contribui em nada com ela, pois não atua para sua evolução. Mas o papel não é algo que vem da sociedade unicamente para ela: ganhamos com isso, e oferecemos aquilo que temos de melhor, realizando o que somos.

Ou seja, se você realiza seus papéis e assume suas responsabilidades, luta e faz pelo que ama. Ser um homem livre e feliz passa por tomar consciência disso. Se você não conhece os papéis que desempenha e que pode desempenhar, estará limitado no campo de possibilidade de realizações, podado de fazer o que ama de forma responsável.

Além disso, estará vulnerável para que decidam e façam por você, sem capacidade de ação e decisão verdadeiras. Um homem de verdade não é um preguiçoso egoísta, é, sim, alguém que constrói seu próprio destino, lidando sabiamente com suas situações.

Fazer algo que ama é uma verdadeira solução para uma vida. Algo oposto a qualquer impressão superficial e egoísta de que assumir responsavelmente seus papeis é uma imposição limitadora.

2. Rastreando meus papéis: Quais são os papéis de um homem?


Uma pergunta que pode surgir é se existem papéis exclusivamente masculinos. A resposta é que sim. Mesmo que algumas possibilidades de papéis sejam semelhantes ou possíveis para homens e mulheres (ambos podem ter filhos, ser filhos, assumir empregos, etc.), as formas que um papel toma para os dois é muito diferente. 

O seu foco deve estar em explorar as especificidades que os papéis tem para os homens. A paternidade, por exemplo, exige a função de provedor e protetor, o que não vale com tanto peso para as mulheres. Como filho, você pode ser mais exigido para conseguir um emprego excelente, o que não é (ou não era) comum para filhas mulheres.

Os papéis de um homem não são inacessíveis às mulheres, mas um homem de verdade deve deve estar preparado para eles. De forma geral, os principais papéis assumidos por um homem são o de Pai, Profissional, Marido, Intelectual e Sacerdote. Se você explorar estas opções, suas variações e exigências, terá um leque para começar a entender suas possibilidades.

3. Menos exigências e mais preparo


Estamos sendo sempre exigidos por acidentes e expectativas de nossos responsáveis, mas muito pouco de nós sabe como lidar com um papel que a vida nos impõe ou que assumimos livremente. Isso nos leva a uma situação conflitante e desanimadora. Por exemplo: se você, como pai de família, é colocado numa situação em que deve agir independentemente pela proteção de sua família, pode estar tão carente das habilidades e conhecimentos sobre armas, estratégias de segurança e habilidades de luta, que isso se torna impraticável. 

Para que suas escolhas e sua posição sejam melhores, é importante que você adquira uma base de habilidades e conhecimentos, que vão te levar a bons resultados nas suas escolhas. Como eu expliquei no artigo Uma palavra sobre as carências e libertações, você deve encontrar modelos adequados de masculinidade e se educar para suprir o que te faltou na infância. Isso passa as mais simples brincadeiras infantis e sobe até os valores de verdadeira masculinidade.

Agora, recuperando nossa masculinidade, isso é mais importante do que exigir resultados imediatos. É para isso que esse blog funciona. Estamos  juntos buscando essa base e crescimento.

4. Sem pieguices, mas "siga seu coração"


Quando se tem testosterona nas veias, os interesses masculinos chegam. Isso não é uma frase bonita, e sim uma verdade, como mostra o documentário O Paradoxo da Igualdade de Gênero. Eu mesmo comprovo isso quando vejo que mesmo incentivado a situações de repressão de um comportamento e interesses masculinos, mantive esses interesses, vendo neles, hoje, uma libertação. 

Muitas das bases para os papéis que você deve assumir podem vir de interesses simples, como marcenaria, história das guerras, tecnologia, política, etc. Na prática e aprendizado para satisfação destes interesses nos tornamos aptos para a masculinidade, então siga seus interesses genuínos e busque aprender com eles. É este o motivo para que estas atividades e interesses sejam tão masculinas. Elas correspondem aos papéis de um homem.

5. Ame.



Pode parecer uma nova pieguice, mas só se você considerar o amor um sentimento bobo. Visto como doação e ação para o bem do outro, não é tão fútil assim. 

Amor para seus iguais na sociedade é a motivação para nossas ações e construções. Sem amor, amor evangélico, não há responsabilidade a se tomar, e os papéis se fundamentam unicamente numa convenção social, essa sim, fútil.

Ame sua família para assumir o papel de pai. Ame seus pacientes, como um médico. Ame seus pais, como um filho, e assim cumprirá seus deveres da maneira correta e verdadeiramente livre. Não são mais acidentes de percurso, mas decisões para o bem da sociedade e de seus próximos. Não há mais peso ou dificuldade, mas estímulo e motivação.

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