segunda-feira, 4 de maio de 2015

Masculinidade é sacrifício

É possível diferenciar um homem de verdade de um emasculado pela sua disponibilidade de se sacrificar por algo. Com sacrifício, leia-se tanto aqueles que levam à morte, em casos graves, quanto aqueles menores, que podem ser pequenos desconfortos. Um homem de verdade deve estar preparado para se submeter a tudo isso quando necessário.

Brasileiros em Monte Castelo lutando pela liberdade.

Se você conhecer um pouco mais das sociedades em todo o mundo, verá que onde há a necessidade de sacrifício, ali estão os homens: para caças e buscas arriscadas de alimentos, grandes esforços em construções, na defesa de uma unidade familiar, nas atividades políticas (que nunca foram atividades seguras), nas guerras e em muitos outros casos, nos quais mulheres não estavam envolvidas ou não tinham a obrigação de estar.

Esse fenômeno tem por princípio a sobrevivência da espécie humana. Numa sociedade, a perda de mulheres significa menos filhos. O mesmo não se aplica de forma tão grave para os homens. Isso também se manifesta na nossa estrutura corporal, que é muito mais voltada para grandes esforços físicos que em mulheres. A presença do hormônio testosterona nos machos também determina que sejamos mais voltados à estratégia, tomada de riscos e agressividade. Tudo isso é uma prova de que somos, digamos dessa maneira, "programados" para o sacrífico.

Imagine como ilustração que uma tribo é atacada por outra tribo inimiga. As pessoas dali precisam decidir entre quem deve ser protegido e quem deve proteger. Ou seja, devem escolher quem se dará em sacrifício pelos seus amigos, família e compatriotas. Seriam os idosos? Poderiam ser as crianças, meninos e meninas? Que consequência teriam se fossem as mulheres? A decisão mais sensata (tomada por todos os povos com um bom número de homens), é recrutar os membros do sexo masculino. 

Esse princípio está implícito em muitos povos, principalmente os sujeitos a grandes adversidades. Podemos identificá-lo em muitos costumes e tradições da nossa sociedade. Quando se diz em situações de fuga que "mulheres e crianças devem ir primeiro", o fundamento está exatamente nisso. Outros pequenos exemplos são as antigas práticas de cavalheirismo.

É também o sacrifício que fundamenta outras virtudes masculinas. O que é da liderança, coragem, humildade, disciplina ou força; sem ele? Os papéis masculinos, virtudes e honra tem a doação como base. Um homem "maricas" é exatamente aquele que nega isso, fugindo para o conforto, preocupando-se com o próprio ego e vacilando frente a qualquer adversidade.

Nada disso indica que homens são inúteis e descartáveis. Pelo contrário. Isso significa que sempre tiveram uma importante função dentro da sociedade. Somos aqueles que por obrigação se esforçam pelo bem comum. Não é um sacrifício vão, mas uma responsabilidade. A formação e estilo de vida dos homens sempre seguiu isso e buscou nos preparar para assumir os desafios e dificuldades, protegendo aqueles a quem se ama. 

As mulheres, por sua vez, praticam importantes sacrifícios, mas precisam ser preservadas através da ação masculina, como forças vivas atuantes na sociedade. Sua função está menos em se colocar em risco e mais em cuidar e manter. 

Beside Them Stood the Women Quietly Loading the Guns, J.r. skelton (1888-1927)

Tudo isso não nos atinge como regras imutáveis, mas como importantes lições. É exigido de cada homem que se preocupe mais com sua obrigação ao sacrifício, mesmo que nos mais pequenos. Se você não é um soldado, operário, e vive uma vida confortável, pode descobrir, ainda assim, que sua vida está repleta de oportunidades de sacrifícios pelos seus próximos. Existem muitas doações que não tem aparência de uma, mas são tão importantes quanto as mais evidentes. Encontre sua área e atue. Vá ainda além: esteja sempre preparado. Aceite seu papel, treine, forme-se, integre-se. Não ame a própria vida ou conforto ao ponto de agir com egoísmo.

Mas não se esqueça de que nenhuma lição de sacrifício vale sem verdadeiro amor ao próximo. G. K. Chesterton, um dos homens de verdade do século passado, disse: "O bom soldado não luta porque odeia o que está na frente, mas sim porque ama o que está atrás". Essa é uma grande verdade, sem a qual não há sacrifício, mas vanidade. 

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