quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Entre o Intelectual e o Brutamontes: O que buscar para a verdadeira masculinidade

Para o senso comum, alguém é mais viril quanto mais se parece com um bruto, estúpido, agressivo, rude e grandalhão. As pessoas costumam identificar como mais masculinos os homens mais predispostos ao combate cego, à violência gratuita e à raiva descontrolada. Sendo assim, a busca pelo conhecimento, a boa postura e até mesmo o cavalheirismo são taxados de "maricas". Essa visão errada exclui a possibilidade da verdadeira masculinidade, reduzindo tudo à uma caricatura odiosa.

Ainda assim, há o erro oposto. O homem que, fugindo dos estereótipos do "machão", cai no extremo oposto, está em constante risco de perder em virtudes de verdadeira masculinidade.

Ficamos entre intelectuais e brutamontes. Qual desses dois "tipos" representam melhor o homem que devemos buscar ser?

Sherlock Holmes: Um personagem "puramente intelectual". Ou quase isso.


1. O homem intelectual


Antes de mais nada, é importante quebrar a noção de masculinidade como algo ligado ao mundo físico, à força bruta e à atitude irracional ligada ao aqui e agora. Existe um motivo justo e simples para isso: qualquer um que leve isso a sério, tomando o hulk ou um gorila como modelo, está destinado a se tornar um inútil idiota. A vida de um homem precisa ir além de lutas, trabalho manual e prazeres compensatórios para ser mais plena. Lembre-se de que a masculinidade abrange também papéis sociais e exigências morais. Isso quer dizer que para que você possa se realizar como um homem, deve considerar também melhorar sua capacidade de tomar decisões, adequar-se socialmente, compreender o mundo a sua volta e se dedicar fielmente aos seus estudos. Tudo isso melhora não só seu ego e seu status, mas também os trabalhos manuais e as responsabilidades. 

"Homem intelectual" é como estamos chamando os estereótipos de homens que se dedicam à busca de conhecimento, ao bom comportamento e às virtudes. Isso está mais para "homens que usam o intelecto", que para a intelectualidade como classe e modalidade. Um bom exemplo de um desses homens é o homem de negócios, que procura capacitar-se mentalmente, aplicar técnicas e estratégias, basear-se em bons princípios e se portar de uma forma adequada em seu meio. 

Outro exemplo de homem que lida com o intelecto é o filósofo, o poeta ou o cientista. Todos estes estereótipos são marcados com características que se distanciam do modelo grosseiro e agressivo do brutamontes. 

No senso comum, muito da subjetividade e detalhismo buscado por esses homens é pura "veadagem". Vestir-se bem, ter bom gosto ou amar uma mulher - por exemplo -, seriam coisas para maricas. Essa concepção contradiz os grandes exemplos de masculinidade da humanidade e desconsidera mesmo que um homem seja capaz de buscar coisas elevadas e boas, como a beleza e o amor, o que é um erro infantil, e só se pode conceber sinceramente quando a ignorância e a cegueira são tidas como alto valor.

É claro que alguns problemas podem surgir se um homem se fecha em um mundo composto exclusivamente de posturas, detalhes e subjetividades. Ignorando a fortaleza, a necessidade de sacrifícios e outros valores masculinos, um homem pode tornar-se melindroso, materialista, covarde e/ou fútil. A existência de casos de homens assim justificam os preconceitos que se tem pelos tipos "intelectuais".


2. O homem brutamontes


Chamamos aqui de "Homem brutamontes" aqueles estereótipos de homens dedicados apenas às atividades e valores ligados aos objetos físicos, aos impulsos e à trabalhos manuais. Um exemplo de estereótipo assim é o típico sertanejo nordestino, com seu facão em punho, bravo como ninguém e considerado muito macho pela sua coragem e auto-sacrifício. 

Aí com certeza está muito da verdadeira masculinidade. É certamente viril o exercício das capacidades físicas masculinas e o desenvolvimento da coragem, força e resistência para situações adversas e para os papéis desempenhados por homens verdadeiros. Também se encaixam nesse modelo os trabalhadores manuais, guerreiros e bandeirantes.

Como já vimos, levar esse modelo ao extremo é uma verdadeira burrice. Desconsiderando o intelecto, a subjetividade, o espírito e os valores, um homem é podado de seu próprio crescimento. A agressividade insana, promovida por quem se acha muito másculo para não ter hombridade nenhuma, leva ao senso comum a imagem do "homem real" como um cego, violento, descontrolado e machista. Nos acostumamos a enxergar a masculinidade como algo baixo, vil, longe da civilidade.


3. O homem de verdade


Para ser um homem de verdade fuja de extremismos e comodismos. O primeiro passo a ser dado para se alcançar esse equilíbrio é em direção ao reconhecimento de si mesmo. Todo homem pode tender ao tipo "brutamontes" ou o "intelectual" e isso não é um problema, mas também devemos guardar na mente que não há um motivo para se buscar ser uma metade. Possuímos a disposição para as duas coisas, simplesmente por que uma não exclui a outra, como muitos fazem parecer. É seu dever reconhecer também o que te liga ao "outro lado" e fortalecer-se nisso. É parte da busca pela verdadeira masculinidade buscar ser um homem completo. Quando você se abrir a isso, entenderá que pode ser muito mais do que se limitava a ser.

Nesse momento se faz necessário observar também o seu meio, sua situação e o que te é exigido. Questionar-se "o que posso oferecer ao mundo?" e "quais são meus deveres?" te levará a exigir de si muito mais do que modelos que se encaixam em "brutamontes" ou "intelectual". Novamente: Você precisa ser um homem completo. 

Se você conseguir perceber o que é ser um homem completo, poderá concluir que essas divisões abstratas não te levam a ser mais homem. Na verdade, elas só te limitam. Seus interesses e exigências poderão, assim, ser complementados pelo "lado desprezado" e você será mais capaz do que antes.


4. Os dois homens 


Um símbolo que pode clarear essa questão é o selo da Ordem dos Templários. Neste selo se vê dois homens que montam em um mesmo cavalo. Uma interpretação relevante, entre diversas, é a da historiadora Barbara Frale, do Arquivo Secreto do Vaticano. Segundo ela, os dois homens são personagens do poema La Chanson de Roland (A Canção de Rolando) e representam virtudes necessárias à um templário: A ousadia, coragem e bravura; e a prudência, controle e equilíbrio. Nenhum grande homem na história desprezou esse objetivo duplo em nome de preconceitos e orgulhos infantis. Também não se permita desprezar.

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