sexta-feira, 8 de abril de 2016

Ler para informar-se ou se formar? | A Vida de Estudos do Homem [2]

Ser homem não significa ser um gorila irracional, e o Oficina do Homem é feito para que, entre outros motivos, mais homens saiam desse tipo de pensamento mesquinho e cresçam. Para homens que querem buscar a verdade sobre a sua vida e sobre o mundo a sua volta, começamos a série "a vida de estudos do homem", com dicas semanais de estudos.

Estudar e ler não são equivalentes. Se fossem, uma criança que lê Turma da Mônica enquanto come biscoito estaria estudando como um adulto lendo Aristóteles para a própria formação.

Objetivos de leitura


Na verdade, a leitura tem diversos objetivos. De maneira geral, podemos dividir dois deles: Leitura para se informar e leitura para se entender. Essa divisão é feita por Mortimer J. Adler no clássico Como Ler Livros, mas algo próximo a isso é comentado em A Vida Intelectual (1920) do padre A. D. Sertillanges.

O padre Sertillanges fala de leitura de informação e leitura de formação

Na leitura para informação, a atitude do leitor é de obter dados para um trabalho ou questão específica. Nela o leitor está menos aberto ao que lê, por que busca aquilo que lhe interessa e está pronto para conduzir a leitura de acordo com suas pretenções. Mortimer Adler fala da leitura para se informar como algo que exige menos esforço de entendimento. O objetivo é meramente captar informações para nosso "estoque", como se faz numa leitura de jornal.

Adler diferencia a leitura para se entender como aquela em que "a coisa a ser lida é melhor ou maior que o leitor". Entender significa, aqui, elevar-se ao que é passado através da leitura. Só há esse tipo de leitura quando não se compreende de início, mas com algum esforço se sobe de degrau. O padre Sertillanges fala de uma leitura para formação, em que o leitor se abre ao que é ensinado, sem "uso" do aprendizado, mas buscando compreender o autor para chegar à alguma verdade. 

Essa não é uma diferença entre livros, idéias ou leitores. É uma diferença de objetivos e atitudes de leitura. Digamos, por exemplo, que você esteja lendo um livro de história. Você pode ler apenas para se informar, o que não traria grande esforço ou mudança de idéias. Você apenas conseguiria mais informações do mesmo nível que tinha antes. Mas e se o livro aborda uma maneira diferente de encarar a história apresentada? Isso pode te exigir uma subida de degrau no entendimento, o que, feito, seria uma leitura para formação. 


Para que saber isso?

A diferenciação desses dois objetivos é essencial para uma boa leitura, pois numa vida de estudos os dois seriam exigidos em casos diferentes. Confundir as atitudes ao ler um livro pode te levar a uma má compreensão do que é lido. Você pode acabar extraindo muito pouco de um livro importante ou gastar um grande tempo e esforço tentando compreender profundidades de um texto que, no momento, só te serviria para informação.

Um diferente nível de passividade e atenção são exigidos nas diferentes atitudes. Saber que tipo de leitura praticar para textos diferentes será de grande proveito nos seus estudos.

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